Sensivelmente mês e meio nos separa das eleições mais determinantes da história do Benfica. Apesar de faltar ainda muita água correr debaixo da ponte, já é possível dizer com segurança que estão em campo 4 facções com objetivos distintos, embora 3 delas tenham interesses muito convergentes.
* Por um lado, temos a facção do status quo, liderada pelo atual presidente Rui Costa. Rui Costa revelou-se um imberbe, um incapaz. Durante 4 anos, foi comido dentro e fora de campo. Procurou agradar ao vieirismo, mas não teve a arte nem o engenho para o manter unido, paradoxalmente porque se revelou fraco nas poucas ocasiões em que tentou romper com o passado. Está hoje encurralado entre aqueles que reclamam que é um herdeiro do vieirismo, e entre aqueles que reclamam que ele destruiu as fundações do que recebeu. O que é interessante é que ambos estão certos. De facto, Rui Costa é um vieirista em toda a sua essência. É populista, é eleitoralista, favorece as negociatas em detrimento das vitórias, é conivente com os rivais que nos espezinham, mas ao mesmo tempo permitiu que o Benfica fosse ultrapassado em todos os domínios – desportivo, financeiro, institucional, etc. Esta facção vai a eleições sobretudo com um grande objetivo em mente – manter o poder para manter todos os benefícios que a ele estão associados.
* A segunda facção diz respeito ao vieirismo vintage, liderado pelo antigo presidente Luís Filipe Vieira. Durante anos, Vieira e os seus capangas aproveitaram-se do Benfica. Os amigos de Vieira encheram os bolsos à custa das comissões pagas pelo Benfica, e o próprio, se não o fez (o que é improvável), pelo menos beneficiou imenso do escudo do Benfica para se safar das suas falcatruas pessoais. Como se isto não fosse o bastante, na Comissão de Inquérito ao BES ficou igualmente evidente que Vieira era também um puppet de Ricardo Salgado e dos seus interesses. Vieira caiu com estrondo num momento que o próprio não esperava, e nos últimos anos teve oportunidade de compreender que deixou ao leme pessoas demasiado incompetentes para que ele possa respirar de alívio sobre as suas negociatas pessoais. Esta facção está por isso desesperada. Depois de terem falhado na procura por um candidato alternativo sem o lastro de Vieira (como Marco Galinha), esta facção apresenta em desespero Vieira numa aliança com outros indivíduos que também têm muito a perder e que só saltaram do barco nos últimos meses. Procuram recuperar o poder com dois objetivos principais: 1) esconder as muitas coisas obscuras que podem vir a ser encontradas por alguém que realmente gosta do Benfica ; 2) recuperar a capacidade de fazer negociatas e encher os bolsos à custa do Benfica.
* A terceira facção são os falsos imparciais. São idiotas úteis que se prestam a papeis patéticos, declarando ser oposição ao status quo, mas verdadeiramente estando em campo para minar quem quer a mudança. Cristovão Carvalho é um herdeiro de Rui Gomes da Silva, agindo tal e qual o seu mestre fez há 5 anos. Martim Meyer, para mim, é um deceção. Não o conhecia antes, dei-lhe o benefício da dúvida por ser neto de quem é, mas sucessivas ações demonstram que do avô só herdou mesmo o nome. Se dúvidas houvessem sobre o papel destes senhores, ficaram desfeitas quando estes se atiraram aos sócios que, escaldados pelo que aconteceu há 5 anos, exigem que as eleições sejam totalmente em papel. Honestamente, não sei porque razão vão a eleições que não seja para ganhar 5 minutos de fama, porque, fora isso, não contam para nada e, se alguma coisa fazem, é ajudar a eleger o vieirismo.
* Por fim, há a facção que quer a mudança. Trata-se da facção que está saturada de 30 anos de humilhações, de 25 anos de vieirismo. Que está saturada de ver o Benfica espezinhado, menorizado por aqueles que deveriam zelar pelo clube. Que está saturada de ver um clube com um potencial único ser incapaz de se assumir como líder do que quer que seja. Trata-se da facção pessoalizada por João Noronha Lopes, João Diogo Manteigas, e pelo movimento Servir o Benfica, que se apresenta a sufrágio com João Leite a liderar a lista para a MAG. Há divisões dentro desta facção, mas uma coisa tenho a certeza: o futuro do Benfica conforme o conhecemos depende da eleição destes senhores. O objetivo deles é, por isso, claro – romper com o vieirismo e transformar o Benfica naquilo que realmente é: um gigante capaz de ombrear com qualquer gigante mundial.
Dado que se trata de um momento tão definidor e, ao mesmo tempo, tão sensível, há enfim duas coisas que me inquietam particularmente.
1. Em primeiro lugar, perspetiva-se um ato eleitoral tudo menos justo e transparente. Para começar, será liderado por uma parte interessada, dado que o atual PMAG, advogado de profissão – soubemos recentemente advogado de defesa no caso LEX (que, relembro, envolve Fernando Tavares e Luís Filipe Vieira), é especulado juntar-se a Rui Costa na direção da SAD. Não bastando ser um ato eleitoral liderado por uma pessoa absolutamente parcial, temos visto essa mesma pessoa propor os mais diversos estratagemas para dificultar a vida das listas concorrentes e aumentar a opacidade. Propôs voto eletrónico (ao arrepio dos estatutos aprovados por larga maioria apenas há meia dúzia de meses), propôs uma redução do número de mesas de voto, marcou eleições para um dia de jogo da equipa de futebol, propôs um regulamento eleitoral aberrante em que, entre outras coisas, é proposto que só sócios efetivos podem ser delegados… Enfim, esta gente não é de confiança, não se lhes pode dar um centímetro de espaço, porque em tudo o que puderem, tentarão viciar estas eleições.
2. Inquieta-me igualmente o fogo amigo. Está à vista de todos que João Diogo Manteigas e João Noronha Lopes não são iguais. Têm estilos diferentes, têm maneiras ver e viver o Benfica diferentes, têm inclusive alguns interesses divergentes. Contudo, estão de acordo no essencial e, mais ainda, estão de acordo não apenas em 99% dos assuntos. Podendo cada um de nós gostar mais de um ou de outro, a verdade é que não há necessidade absolutamente nenhuma de atacar ou desconsiderar a outra lista. Neste aspeto, não há inocentes, tem havido excessos de ambos os lados. O que importa reter é que este espécie de fogo amigo só beneficia um dos lados. O meu repto é, por isso, que não se perca o foco e que se mire SEMPRE quem merece estar na mira.
O meu sentido de voto está longe de estar definido.
* De João Diogo Manteigas, valorizo o foco no associativismo e o espírito combativo. A sua maneira de ver e viver o Benfica está muito mais em linha com a minha do que a de qualquer outro candidato. Também valorizo o facto de se ter apresentado a eleições cedo, sem medo dos resultados desportivos que poderiam eventualmente favorecer o status quo e retirar espaço à oposição.
* De João Noronha Lopes, valorizo imenso a sua competência empresarial, valorizo que esteja já rodeado de gente de qualidade muito reconhecida, e reconheço que tem um élan mais forte.
* Em condições normais, isto é, se eu fosse 100% genuíno no momento de votar, votaria muito provavelmente em João Diogo Manteigas. Sobretudo estando agora prevista a possibilidade de uma segunda volta, em condições normais não seria de todo calculista. Contudo, estas não são umas eleições normais. Estas são eleições em que duas listas têm um poder e um acesso aos media absolutamente desproporcional, em que qualquer candidato que jogue no lado do Bem tem de ultrapassar imensos obstáculos. Assim, estas são umas eleições em que o risco de uma segunda volta entre Rui Costa e Vieira existe, o que, por isso, obriga a repensar estratégia. O desenrolar da campanha irá ajudar-nos a perceber melhor estado da nação Benfiquista e, a mim, irá ajudar-me a decidir o sentido de voto.
* Apesar do que acabei de dizer, não é claro ainda que este risco se materializará, pelo que não faz sentido algum, neste momento, pedir que qualquer uma das listas abdique. Nesta fase, sou apologista que todos aqueles que fazem parte do Bem devem apresentar o máximo de boas ideias possível e debatê-las, e mesmo sobre a possibilidade de desistência em favor de outrem, agora que existe uma segunda volta, defendo que isso só deva acontecer caso efetivamente haja um risco de haver Vieira vs Rui Costa. Acho por isso importante deixar claro que quem já está a pedir abdicação está fazê-lo numa altura extemporânea.
* No caso da MAG, aí não tenho quaisquer dúvidas. O meu voto vai indubitavelmente para João Leite e para o Servir o Benfica. A minha convivência com o movimento e com o João Leite em particular permite-me concluir que, sem sombra de dúvida, estão ali grandes Benfiquistas, que sabem o que é o Benfica, que viveram o verdadeiro Benfica, que sonham com o verdadeiro Benfica, e que sabem que o verdadeiro Benfica só é possível com um associativismo forte e exigente. Ora, não há cargo mais importante para o associativismo do que o cargo de Presidente da Mesa da Assembleia Geral, por isso, este voto está mais que decidido. Desta forma, espero que as candidaturas de Manteigas e Noronha não apresentem nenhuma lista para a MAG, e que neste órgão possamos ter uma frente unida para resgatar o Benfica de quem não o honra.
As eleições estão a começar de aquecer, e é importante que todos tenham noção que vai valer tudo para manter o Benfica refém dos interesses instalados. O meu repto é que nós, Benfiquistas, estejamos preparados para dar a resposta necessária nas urnas, e que finalmente o Benfica volte a ser nosso.
continuo com a mesma opinião que tinha, antes de vieira ser candidato e que este facto só aumentou essa opinião que jnl, jdm e mm se deveriam juntar numa só lista.
sei que não vai acontecer mas temo que tal venha a se revelar um erro monumental.
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