Votarei João Noronha Lopes

Dois dias para um dos dias mais importantes da história recente do Sport Lisboa e Benfica.

Quem me conhece e/ou quem leu o que escrevi recentemente, saberá perfeitamente qual a minha tendência de voto. Rui Costa e Vieira representam a continuidade na mediocridade, representam a moscambilha como modo de vida. Martim Meyer e Cristóvão Carvalho vieram fazer o papel de idiotas úteis. Sobram aqueles que são realmente os dois candidatos pela mudança: João Diogo Manteigas e João Noronha Lopes.

João Diogo Manteigas demonstrou coragem. Assumiu-se como candidato muito cedo. Certo que precisava de se mostrar a conhecer, mas a realidade é que teve exposição durante imenso tempo, e com isso arriscou ver a sua vida devassada pelo exército de cartilheiros que trabalha para o status quo. Claro que nada disto teria relevo se o próprio programa que apresenta não fosse bom. É. Apresenta ideias arrojadas, out-of-the-box, e soma a isso uma visão muito acertada sobre o associativismo do Benfica. Este é aliás o grande trunfo de JDM: ter uma equipa de grandes associativistas, gente que fez e faz muito pelo Benfica enquanto clube dos sócios.

João Noronha Lopes é um perfil de candidato completamente diferente. A sua postura é menos combativa, mais empresarial, mais diplomática, mas nem por isso menos séria. Tinha a vantagem de já ser uma pessoa conhecida dos Benfiquistas, mas isso de nada servia se não consubstanciasse isso com uma candidatura sólida. Tal como JDM, foi isso mesmo que fez. Apresenta um verdadeiro plano de futuro, racional, inspirado pelas melhores práticas empresariais. Sem desmerecer de todo a equipa de JDM, que conta com Benfiquistas que muito respeito e que me habituei a ouvir com regularidade (como o José Rosário), diria que a grande vantagem de Noronha é estar rodeado de gente com bastantes provas dadas a nível nacional em cargos de topo. Como alguém dizia há dias, é uma candidatura ao Benfica, mas poderia muito bem ser uma candidatura ao governo de Portugal, tamanha a sua valia.

Depois de uma longa reflexão, tomei finalmente a decisão de votar João Noronha Lopes. Faço-o pelos motivos certos, porque considero ser o seu o projeto mais completo (mais uma vez, sem desmerecer o de JDM, que é igualmente de grande valia), mas faço-o também por espírito de pragmatismo.
Por um lado, porque não tenho gostado dos últimos dias de campanha. Têm havido excessos de todos os lados, e nem mesmo a entourage de Noronha Lopes é inocente, mas a verdade é que ele tem sido de facto o alvo mais recorrente. Ora, a tendência não será certamente o lodo abrandar, pelo contrário. Há muita gente nervosa, e o desespero só trará mais lama.
Por outro lado, as sondagens têm sido consistentes em apontar a improbabilidade que alguém ganhe à primeira volta. Perante este cenário, tenho poucas dúvidas que o status quo vai poupar truques. Neste cenário, a eleição que lhes interessa ganhar é daqui a duas semanas, por isso, a primeira vai servir sobretudo de um teste, um test aos loopholes e às zonas cinzentas, que na hora H possam usar para, mais uma vez, roubar a eleição.
Por tudo isto, darei o meu pequeno contributo para que a coisa se resolva à primeira. Se não acreditasse no plano de João Noronha Lopes, se votar nele numa segunda volta fosse o equivalente a engolir um sapo, certamente não o faria. Mas como acredito na sua visão de Benfica, não tenho problema nenhum em depositar os meus votos nele.

Por muito que esta seja a eleição mais mediática, este ato eleitoral é muito mais do que a eleição da direção do Benfica. Há mais três órgãos em jogo.

  1. Para a Mesa da Assembleia Geral, votarei sem qualquer dúvida na Lista A, encabeçada por João Leite, que representa o movimento Servir o Benfica. O candidato ligado a João Noronha Lopes é fantástico, tem um CV incrível, e certamente daria um excelente presidente. Contudo, não pode levar os meus votos (pelo menos numa primeira volta) por duas razões. 1) Porque acredito numa filosofia de checks and balances, pelo que acredito que é importante o PMAG ser independente da direção. 2) Porque a MAG é um órgão predominantemente associativista. Aqui, o CV que interessa não é o profissional, mas sim o CV de Benfiquismo, e isso João Leite e o SoB têm de sobra. Na verdade, o SoB é a principal razão pela qual podemos ter esperanças. A organização destas eleições tem sido suja, enviesada. O atual presidente da MAG, recandidato, apoiante de Rui Costa, não tem prestado um bom serviço ao Benfica. Pelo contrário, tem inclinado o tabuleiro de jogo. Todavia, se apesar de tudo está limitado na sua ação, ao trabalho incansável do SoB o deve, que dinamizou uma mudança estatutária e galvanizou os sócios.
  2. Para o Conselho Fiscal, votarei na Lista C, afeta a João Diogo Manteigas. O Conselho Fiscal é um órgão cujo objetivo é, como o nome indica, fiscalizar a ação de todos os intervenientes na vida do Benfica. Por isso, ainda mais do que a MAG, deve ser exercido por alguém absolutamente independente. Ora, esperando eu que João Noronha Lopes seja eleito, quero que, do outro lado, esteja um Conselho Fiscal atento e sem conflitos de interesse. Valorizo imenso todo o caminho de enorme Benfiquismo trilhado por António Bagão Félix, mas não lhe posso dar os meus votos.
  3. Para a Comissão de Remunerações, o Bem só se apresenta a votos com uma lista, liderada por João Moreira Rato. Pelas mesmas razões que acabei de mencionar, preferia igualmente votar em alguém sem ligação a Noronha. Contudo, dado que o candidato afeto a JD Manteigas foi chumbado, votar na Lista F acaba por ser um no brainer.

Opções à parte, o mais importante de tudo é saber ler a sala e perceber o que está em causa. Sobretudo para as pessoas que estão do lado do Bem, é importante perceber que, com todas as diferenças de opinião e abordagem que existem, o inimigo é outro. O Benfica está refém do vieirismo há muitos anos, e só é possível derrubá-lo se, no final, formos capazes de perceber que as diferenças que nos separam não são de todo substantivas, sobretudo quando comparadas com a missão espinha que está pela frente. Sábado, nas urnas, é preciso dar uma lição de Benfiquismo para quem do Benfica apenas quer poder e dinheiro. Quanto a mim, lá estarei, como de costume a contribuir para a mudança. Que finalmente o Benfica volte a ser nosso.

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