A venda do naming do Estádio em 6 pontos

1. Sou totalmente a favor da venda do naming do Estádio. Compreendo os mais românticos, mas sou da opinião que o verdadeiro Estádio da Luz morreu algures no início do século. Não é que não goste do atual, que até acho que tem bastante encanto, mas não é a mesma coisa. Por isso, acho bem que se tente rentabilizar o naming.


2. Contudo, o timing para vender o naming não podia ser pior. Com pandemia, com a crise que se avizinha, não podia haver pior contexto para negociar uma coisa destas. Vender agora o naming, só mesmo por desespero, porque provavelmente até a médio-prazo deixará de compensar, quanto mais a longo-prazo.


3. Hoje na imprensa fala-se num contrato a 20 anos, o que é uma duração de contrato absolutamente desajustada. Mesmo ignorando a pandemia, dado que a indústria do futebol está a crescer exponencialmente, daqui a meia dúzia de anos, obter os direitos de naming de estádios será uma coisa muito mais cara para quem quiser comprar. Ou seja, se nada de estranho acontecer, daqui a 20 anos, os preços que se pagam hoje serão considerados uma pechincha. Logo, contratos tão longos não fazem qualquer sentido.


4. A imprensa fala também que o Benfica está a vender 20 anos de direitos por apenas 75M. Dado o que escrevi acima, seria um negócio absolutamente desastroso. São meros 3.75M por ano, é pouco mais que um Cádiz. Face ao potencial que a marca Benfica tem, amarrar-nos a um contrato tão longo por uma ninharia destas é quase gestão danosa.


5. Porque é que os preços são tão baixos? Bem, a pandemia é uma razão, mas há pelo menos mais duas. A primeira está relacionada com a pandemia também, porque tentar vender agora, dado o contexto, só mesmo por desespero. Logo, mesmo que o Benfica não esteja desesperado, pelo menos parece, e se os investidores sentem que a SAD está de calças na mão, então vão sempre oferecer um valor baixo. A outra razão é o facto do Benfica, hoje em dia, ser chacota no futebol europeu. As campanhas miseráveis na Europa, ano após ano, destroem a imagem do Benfica perante os estrangeiros. Com o Benfica desvalorizado na Europa do futebol, naturalmente os patrocínios serão sempre uma miséria.


6. Uma última nota para dizer que o facto do Benfica precisar de um parceiro para intermediar este negócio é mais uma evidência clara de que Domingos Soares de Oliveira não serve. Após anos e anos a tentar encontrar um patrocinador, atirou-se a toalha ao chão e admitiu-se que sozinhos não conseguimos fazer nada. Se um gestor não consegue materializar aquela que sempre foi uma das suas principais bandeiras, para que é que ele serve?


Há 5 anos, Vieira pedia 100M por 10 anos de naming. Hoje, temos, dizem, um Benfica campeão da credibilidade, e o máximo que se consegue são 75M por 20 anos, aos quais ainda se vai ter de descontar os custos de intermediação. É pouco mais de um terço, e é manifestamente pouco para o potencial da marca do Benfica. Decisões destas condicionarão a vida do Benfica durante décadas, por isso, é importante que nós, Benfiquistas, lancemos o debate pois nenhuma direção deve ser leviana a assinar contratos deste tipo e é crucial que sintam pressão para não assinar contratos danosos para o Benfica.

5 thoughts on “A venda do naming do Estádio em 6 pontos

  1. acho que neste caso não é por desespero que se tenta vender agora, mas porque não se conseguiu anteriormente.
    e o valor não baixa só por causa da pandemia mas porque pelo que andávamos a pedir ninguém lhe pegou.

    a chave esta no teu primeiro paragrafo o “Estádio da Luz” é que este não é o nome do actual, nem do anterior, estádio é o nome que lhe damos, e vamos continuara a dar, independentemente do nome que o estádio tiver e os patrocinadores sabem disso por isso para eles acaba por ter pouco retorno patrocinar o nome do estádio e este sempre foi a grande dificuldade do negocio.

    pese embora todos os outros problemas que temos basta ver o naming das bancadas que de sucesso passou a não se conseguir vender nenhuma, e é só quase publicidade institucional.

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  2. Não se escreve como se fala.

    Em bom português, escreve-se assim: «o facto de o Benfica ser/precisar […], porque a preposição (de) liga ao verbo no infinitivo. O facto de (o Benfica/o clube/ele) ser/precisar.

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  3. Esqueçamos os 3,5 milhões anuais de média e olhemos aos 75 milhões a 20 anos!
    Porque é para aí que os pulhas estão de olhos arregalados!
    E claro, ao adiantamento que forçosamente vão pedir baixando ainda mais a média!
    Se DSO não presta, então onde está o “negociador implacável”?
    E o comboio de advogados pagos a peso de ouro ao serviço do rei-sol?
    E já agora, a quem pertence essa tal mediadora?

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