Obrigado por tudo, João Filipe, e desculpa qualquer coisa

“Estive 15 anos no Benfica, é como um filho deixar os pais… Não vou dizer ‘adeus’ porque sei que um dia vou regressar.”

Eu estava lá, no Estádio Cidade de Coimbra, quando João Filipe se estreou. Entrou para o lugar do Jonas já perto do fim. Toda a gente aplaudia o lendário Jonas, que regressava de lesão e era titular pela primeira vez na sua última época como profissional, mas a ovação ao menino Jota não foi menos intensa. Não era para menos, era o menino da casa, que se destacara em todos os escalões por onde passou, e que só não chegara mais cedo ao topo por causa de uma grave lesão.

O que se seguiu foi uma filha-da-putice. Queimado por Bruno Lage, que porque não lhe fora dado um segundo avançado, achou que Jota poderia ser a solução (obviamente não era); queimado por adeptos acéfalos, lestos em apontar armas aos meninos da casa, incapazes de questionar os intocáveis; queimado por uma corja que só pensava em negociatas e que não conseguia não meter o parceiro estratégico em tudo, o ex-libris foi o desfazer-se em lágrimas após uma assistência num jogo da taça contra o Vizela (se não me falha a memória). Tamanha não deveria ser a pressão…

Nunca foi verdadeiramente aposta. Comentadeiros e cartilheiros diziam que sim. Fez 28 jogos numa época! Os acéfalos, que comem tudo o que se lhes põe no prato, não deixavam de comer. Claro que poucas vezes era mencionado que, no total, fez apenas cerca de 600 minutos (média de cerca de 20 min por jogo). Claro que ainda menos vezes era mencionado que em 21 (!) dos 28 jogos entrou com o jogo nos últimos 15 min. Ou, apresentando a estatística de outra forma, que em 10 (!) desses jogos, entrou depois dos 85 min. É alguém capaz de dizer que um miúdo não aproveitou as oportunidades quando a maior parte das vezes entrava para perder tempo nos descontos, ou, pior ainda, para ser mais um a jogar no chuveirinho? São isto oportunidades a sério?

Este ano, porque era preciso abrir espaço para os Gil Dias da vida (e que diz Gil Dias, diz outros bonecos ligados ao parceiro estratégico), voltou a ser emprestado. Em boa hora, pois finalmente teve contexto para explodir em definitivo. Fico feliz por ele. É hoje ídolo no novo clube, e se continuar assim, não tenho dúvidas que dará o salto para onde jogam as estrelas. Depois de tudo o que passou naquela que é sua casa de sempre, merece-o. Mesmo assim, na sua apresentação, não nos esquece, dirigindo-nos palavras bonitas e comoventes.

Chamem-lhe autoflagelação, mas desejo intensamente que estejamos perante um novo Bernardo. Desejo por isso que, daqui a 5 anos, estejamos a celebrar as conquistas de um dos melhores do mundo, enquanto choramos por dentro que elas não aconteçam de águia ao peito. É sádico? É. Mas é o possível enquanto no nosso Benfica perdurar o status quo disfarçado de novidade só porque rolou uma de muitas cabeças que deviam ter rolado.

Obrigado por tudo, João Filipe, e desculpa qualquer coisa.

3 thoughts on “Obrigado por tudo, João Filipe, e desculpa qualquer coisa

  1. Sinto revolta pela forma como se perdem jogadores como este João Filipe.
    Um grande aplauso pelo seu artigo. Não mudaria uma vírgula.

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  2. foi um erro o lage o ter metido a segundo avançado mas não foi por birra ou por não lhe terem dado jogadores foi por convicção, errada, pois ele quando treinou a equipa b já tinha colocado o jota a jogar a segundo avançado.
    no nosso clube não exite espaço para apostar em miudos ou eles mostram serviços nos poucos minutos que tem ou nos poucos em que são titulares ou não existe tempo para esperar que eles jovem tres ou quatro jogos seguidos sem produzirem.
    todos os casos que temos e são varios os exemplos foram sempre jogadores que começaram a produzir quendo entraram logos nos primeiros jogos.

    o erro foi ter desistido cedo demais do jogador e não se ter feito o que se fez com o diogo gonçalves por exemplo.
    independentemente de se ter ido contratar anedotas o ano passado o retorno do jota era um erro já que no emprestimo que ele tinha tido tambem nem sequer se tinha destacado e tambem não teria tempo para se mostrar, como as anedotas também não tiveram.
    depois de uma epoca boa este é que seria o ano para o retorno epara ver se era ou não jogador para o clube.

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