Nove notas curtas sobre o debate de ontem

Nove notas curtas sobre o debate de ontem

  1. Começar por saudar a democracia. 21 anos volvidos do debate que ajudou a tirar um vigarista do Benfica, foi bom ver regressar algo que nunca devia ter deixado de existir.
  2. Dizer também o óbvio: Rui Costa ganhou facilmente o debate. Estava preparado, estava confiante, e soube crescer com os erros de abordagem cometidos por Francisco Benítez. Tenho a confessar que a sua performance me surpreendeu pela positiva.
  3. No polo oposto, Francisco Benítez não esteve bem. Na minha opinião, pecou por ser demasiado boa pessoa, pois enquanto RC se esquivava das perguntas mais incómodas, não soube ser aguerrido o suficiente para tirar nabos da púcara. E quando Rui Costa ridicularizava as suas ideias, não soube ser assertivo a defendê-las. Faltou concretizar melhor, pois os assuntos ficaram todos muito pela rama. É pena, pois para quem viu a boa entrevista que Benítez deu há uns dias, ficou claro que isto se resumiu a nervosismo e inexperiência.
  4. Sobre a postura, dizer também que se nota bem qual é a escola de Rui Costa. O constante ridicularizar do adversário, os atropelos de discurso, tudo isto foi jogo baixo desagradável para quem assistia. Rui Costa bateu muito na tecla do facto de Benítez ter levado papéis, defendendo que é genuino e pardais ao ninho. Eu conheço um treinador de futebol que também desculpa tudo o que faz e o que os outros não fazem com o facto de ser genuíno e frontal, e acho que nenhum Benfiquista defenderá tal pessoa. O mais ridículo nisto é que Rui Costa não precisava de ter baixado o nível para ganhar o debate, mas enfim, quando se tem um falange de apoiantes que gosta destas tiradas, que fazer?
  5. Programaticamente, não me recordo de ter ouvido ideias concretas por parte de Rui Costa. E isto nem é necessariamente uma crítica, porque de facto pôde jogar sempre no contra-ataque e, em vez de expor ideias, teve oportunidade de passar o debate a defender-se de críticas de Benítez. Aí, embora ele o fizesse deturbando a mensagem do adversário, tenho de reconhecer alguma legitimidade ao que disse Rui Costa: não basta dizer o que não foi feito ou o que foi mal feito, é preciso expor como se faria e fará diferente, e aí Benítez não soube passar a mensagem, porque as ideias existem e todos as conhecemos.
  6. Pelo contrário, de Benítez, ouvimos algumas ideias. Nem todas boas, nem todas exequíveis, mas geralmente houve substância. Foi pena do outro lado não ter havido humildade de o reconhecer, o que é irónico dado que tanto se falou de sinergias. Em última instância, quem mais beneficiaria desta sinergia seria o Benfica.
  7. Rui Costa a certa altura disse que os adversários falavam muito em transparência, quase com escárnio. Ficou bem patente a importância que tal tem para Rui Costa. Depois, na pergunta final, RC perguntou a Benítez sobre se este iria ser democrático caso perdesse. Isso deixa uma questão no ar: o que considera Rui Costa democracia? Ser democrata significa aceitar os resultados e dar legitimidade governativa ao adversário, não significa baixar a guarda. Aliás, o que nos levou à situação a que chegámos recentemente foi precisamente isso: unanimismos. Repito: Nestas pequenas coisas, nota-se bem a escola que Rui Costa tem.
  8. Não basta a Rui Costa bater no peito e dizer que é muito Benfiquista. E também não é honesto querer ser julgado apenas pelos últimos 3 meses quando está na direção há mais de uma década (sendo curioso que para declarar algumas vitórias já não se inibiu de querer que fosse considerado todo este período). Como disse Benítez e muito bem, o apoio dos Benfiquistas conquista-se com atos, com ações concretas que devolvam a confiança às pessoas que a perderam.
  9. Sobre Benítez, o que aconteceu são dores de crescimento. Foi também uma aprendizagem para todos aqueles que, não tendo tido a coragem de se apresentar a eleições como fez o Servir o Benfica, puderam ver aquilo que Rui Costa é capaz.

Resumidamente, Rui Costa ganhou indiscutivelmente o debate, muito por demérito de Benítez. Na realidade, quando apertado com assuntos com os quais não se sente confortável (como o assunto Footlab que nem é propriamente uma coisa gravíssima mas que é um exemplo da promiscuidade entre o Benfica e os negócios de dirigentes), demonstrou-se nervoso com menos autocontrolo. Diria que o que faltou foi isso, foi tirá-lo do à-vontade constante com que abordou o debate.

Terminando reiterando: estou muito grato ao que o movimento Servir o Benfica tem feito, e desejo apenas que não desmobilizem nem desmotivem qualquer que seja o resultado de amanhã. O Benfica precisa de associativismo, o Benfica precisa de coragem, e isso o SoB tem de sobra. O debate de ontem foi um contratempo, que não diminui em nada o respeito que por estes bravos eu tenho.

PS: Voltou a ser muito debatido o facto de Benítez não lançar nomes. Porque raio é que o haveria de fazer? Não é razoável expor os profissionais a algo imprevisível. Se estes realmente forem bons, são aliás potenciais profissionais para integrar o Benfica no futuro, que por isso não se podem comprometer a apenas um candidato. O tempo em que um candidato promete jogadores e treinadores já lá vai, e honestamente gostava de não voltar a esse tempo. Funcionários efetivos ou potenciais do Benfica só têm legitimidade para se envolverem em eleições se pagarem quotas, e sempre com a mesma importância que qualquer um de nós.

2 thoughts on “Nove notas curtas sobre o debate de ontem

  1. O caro Estevão Silva, sonhou com a vitoria do Benitez no debate… Mas a realidade é dura com os sonhadores!! Espero que nem as sonhadas galerias do metro os empeça de ir votar!!! LOL

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