As pertinentes propostas de Bruno Costa Carvalho para uma alteração estatutária – Parte 1

Há alguns meses atrás, escrevi o primeiro de vários textos que tinha planeado sobre os estatutos do Sport Lisboa e Benfica. Entretanto, o saudoso Bruno Costa Carvalho antecipou-se a mim e elaborou uma excelente proposta para revisão estatutária que eu na altura até partilhei na página, e que partilho outra vez, porque de facto é muito pertinente – https://www.facebook.com/bruno.carvalho.963434/posts/10215401362886273 .

Ora, dado que concordo com quase todos os pontos apresentados, seria uma perda de tempo escrever um texto em que basicamente repetiria o que Bruno C. Carvalho escreveu, por isso, vou antes optar por debater as propostas do mesmo, uma por uma. No final, acrescentarei alguns pontos que não foram sugeridos pelo antigo candidato à liderança do Benfica.

PROPOSTA 1: Equiparação dos direitos dos Sócios Efectivos aos dos Sócios Correspondentes.

Antes de mais, é importante refletir sobre a distinção entre Sócios Efetivos e Correspondentes. De acordo com o artigo 12º dos Estatutos do clube, são sócios correspondentes “os que residam em localidade que diste mais de 50 Km da periferia da cidade de Lisboa”. A grande vantagem de um sócio correspondente é pagar um valor de quotas muito inferior. Porém, essa é mesmo capaz de ser a única vantagem. Isto porque sempre que um sócio que viva longe da Luz queira ir ao Estádio, só em deslocações acaba a gastar muitas vezes mais dinheiro que um sócio efetivo. Além disso, uma grande parte dos parceiros do Benfica, que oferecem vantagens e descontos aos sócios, tem a sua atividade focada em… Lisboa. Posto isto, não é injusto que um sócio correspondente pague menos de quotas que um sócio efetivo, dados estes pontos. Podemos eventualmente questionar o valor das quotas, mas isso é outro assunto.

É então por isso que não se percebe que os sócios efetivos tenham mais direitos que os sócios correspondentes, particularmente direitos electivos. Um Benfiquista residente em Valença do Minho ou em Tavira é tão Benfiquista quanto um residente em São Domingos de Benfica, por isso, estatutariamente, não faz sentido que os primeiros estejam limitados na forma como podem contribuir para a vida do clube. Assim sendo, acho que é importante alterar o ponto 3 do artigo 17º, bem como todos aqueles que lhe estão relacionados, de forma a equiparar os sócios efetivos e os sócios correspondentes no que toca a direitos.

PROPOSTA 2: Alteração do peso dos votos de cada sócio conforme a seguinte tabela que é igual ao dos estatutos anteriores:
* Sócios com mais de um 1 ano e até 5 anos: 1 voto
* Sócios com mais de 5 anos e até 10 anos: 5 votos
* Sócios com mais de 10 anos: 20 votos

Esta é daquelas propostas que fala por si. Hoje, um sócio com 5 a 10 anos de casa vale 10x (!) menos que um com mais de 25 anos (tem 5 votos, contra 50). Do mesmo modo, um sócio com 10 a 25 anos de casa vale 2.5x menos que um sócio mais antigo (tem 20 votos, contra os mesmos 50). A regra da antiguidade é lógica, pois com a idade vem experiência, o que num clube desportivo que já viveu tanto como o Benfica é importante. Além disso, esta desigualdade é importante também para combater os chamados paraquedistas. Só que a tabela atual cria uma desigualdade demasiado grande, pois centra as decisões praticamente nos sócios mais antigos, pelo que a juventude e a frescura de ideias dos sócios mais novos dificilmente terá impacto. Mais ainda, creio que 10 anos de sócio são mais que suficiente para um sócio atingir plena “maturidade Benfiquista”. Citando Bruno C. Carvalho, a tabela actual dá tanto peso aos sócios mais antigos que pode «retirar o entusiasmo aos mais novos e trazer algum sentimento de imobilismo e de desânimo». É por isso importante alterar o ponto 1 do artigo 51º dos estatutos.

PROPOSTA 3: As Casas do Benfica, Filiais e Delegações deixam de ter direito a voto.

As Casas do Benfica são apenas “imóveis”, que só são Benfica porque são frequentadas e geridas por Benfiquistas. Logo, não faz sentido nenhum que as Casas do Benfica tenham direito a 50 votos, quando os próprios sócios já têm direitos de voto. Salvo erro (pelo menos é a informação que tenho), um presidente de uma Casa tem direito a 50 votos para si e a 50 votos para a Casa. Faz sentido que um sócio tenha 100 votos quando outros, com 8 ou 9 anos de sócio têm apenas 5? Claro que não. Quem vota devem ser os sócios, pois as paredes não têm um cérebro para pensar. Perdoem-me a analogia, mas uma Casa do Benfica ter direito a voto nas votações do Benfica é equiparável a uma Câmara Municipal ter direito a voto nas eleições legislativas. Por isso, o artigo 52º tem de ser abolido. O mesmo raciocínio aplica-se, obviamente, às Filiais e Delegações, que têm direito a 20 votos. E convém deixar claro que não está em causa o seu papel na divulgação do Benfiquismo, que é muito importante, muito mesmo, sendo quem vive longe de Lisboa pode certamente comprová-lo!

PROPOSTA 4: Duração dos mandatos dos Órgãos Sociais de 3 anos.

O artigo 42º indica que «o mandato dos titulares dos órgãos sociais é de quatro anos». Bruno Costa Carvalho propõe três anos. Admito que esta é talvez uma proposta relativamente inócua, pois considero que um ciclo eleitoral de 4 anos não é muito maior que um ciclo eleitoral de 3 anos. De qualquer forma, um período eleitoral impõe uma pressão extra para apresentar resultados que é sempre positiva, por isso, não votaria negativamente a esta proposta.

PROPOSTA 5: Alteração das condições para se poder ser membro de um Órgão Social do Benfica para o seguinte:
* Antiguidade mínima de 10 anos como Sócio Efectivo ou Correspondente ininterruptos face à data das eleições
* Terem um cadastro criminal limpo
* Nos casos dos Presidentes da Mesa da Assembleia Geral, Direcção e Conselho Fiscal, obrigatoriedade de terem pelo menos 35 anos de idade

Esta proposta complementa a proposta 1. 25 de sócio efetivo significa que um sócio, para se candidatar à presidência de um órgão social precisa de ter, pelo menos 43 anos de idade. Por curiosidade, a título de comparação, um cidadão precisa de ter apenas 35 anos de idade para se candidatar à Presidência da República Portuguesa. Assim sendo, dado o que escrevi acima, é uma proposta que faz todo o sentido.

PROPOSTA 6: Qualquer membro de um Órgão Social, inclusivamente o Presidente da Direcção, poderão ser remunerados.

Alguns dirigentes (os que também são dirigentes da SAD) são remunerados, excepção feita a Luís Filipe Vieira, por opção própria. Já os do clube não o são. Como diz Bruno C. Carvalho, o desporto actual é altamente profissionalizado e não faz sentido que os únicos amadores sejam os dirigentes. Sobre esta proposta, debrucei-me em Outubro passado – https://www.facebook.com/obenfiquistacritico/photos/a.897164360466601/1011733485676354/ . Remunerar os titulares de órgãos sociais é, de certo modo, blindar o Benfica de interesses pessoais. Por isso, alterar o ponto 9 do artigo 44º – «Os titulares dos órgãos sociais não são remunerados, incluindo nas empresas participadas e sociedades desportivas ou outras onde o Clube tenha interesses» – é essencial.

Bruno Costa Carvalho fez mais 6 propostas além destas. As mesmas serão debatidas num próximo texto. De qualquer maneira, até lá, o debate acerca destas 6 fica assim aberto.

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14 thoughts on “As pertinentes propostas de Bruno Costa Carvalho para uma alteração estatutária – Parte 1

  1. Agora já percebo a razão pela qual montaste este blogue e a lógica por detrás dele. Tinha a certeza que tens uma agenda e este post apenas o confirma dissipando-me as poucas duvidas que ainda tivesse.
    Quando alguém que coloca a critica atrás do bom senso, só tem uma qualificação possível: pessoa mal intencionada, de má fé e com agenda pessoal ou de alguém!

    As opiniões de uma pessoa que não me merece, nem mim nem à esmagadora maioria dos benfiquistas que o humilharam em eleições livres e democráticas, qualquer crédito, nem a pessoa nem as suas ideias, que teimosamente continua a arejar essas ideias em cruzadas ideológicas que não interessam a ninguém.

    Quando uma pessoa apanha uma lição para a vida e não retira ensinamentos dessa lição, é porque a sua inteligência deixa muito a desejar. E aqueles que o seguem são ainda piores. Ou estarão a ser bem pagos.
    Continuam sem qualquer credibilidade e terão de ser combatidos com todas as forças pelos bem-intencionados.

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    1. Cara Licínia, sabe quem é que também foi humilhado em eleições livres e democráticas? O saudoso Luís Tadeu. Na altura, os Benfiquistas preferiram um tal de João Vale e Azevedo. O facto de um Benfiquista perder eleições não faz dele um mau Benfiquista.

      Pelo contrário, o facto de ter sido humilhado num ato eleitoral e continuar presente na vida ativa do Benfica e a dar sugestões só demonstra que põe o Benfica acima do seu ego pessoal.

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      1. Mais uma mentira na senda da mesma demagogia.
        Luis Tadeu não foi humilhado, foi um candidato digno, é benfiquista e por isso não teve 2% dos votos dos Benfiquistas.
        Ter 2% dos votos é a mesma coisa que os sócios dizerem ao candidato, “Vai à merda. Não prestas!”!

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    2. Sabe, cara Licínia, o presidente Fernando Martins também tentou duas vezes e só venceu eleições à segunda tentativa. E isso não é vergonha nem humilhação.
      Na vida, há vitórias e há derrotas. Há sonhos realizáveis e realizados.
      Vergonha e humilhação é não se ter ideais, ambições por que lutar.
      Saber perder e voltar à luta não é humilhação. É sim, sinal de carácter, de querer, de resiliência e de personalidade.
      A cara Licínia nunca perdeu na vida. Tudo lhe tem caído no colo! Ou então não sabe o que é ter ideais e lutar por eles!

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  2. Boa tarde. Sou um dos sócios que tem 25 votos, provavelmente numa das próximas eleições já terei 50. Acredito e confio nesta direcção. Algumas situações poderiam ter sido geridas de outra forma? Se calhar sim, mas quem lá está de certeza fez o melhor para bem do clube. Independentemente disso não me custa admitir que algumas das medidas que aqui se encontram descritas são bastantes razoáveis e merecem discussão civilizada em local próprio, um exemplo será o peso que os presidentes das casas do Benfica têm comparativamente com outros sócios, se calhar com mais anos de filiação.

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    1. O problema das Casas do Benfica são muito mais vastos. Tanto quanto sei, alguns presidentes nem sequer são benfiquistas. Não é pois inusitado perceber-se que o tempo de sócio será diminuto. – penso que é obrigatório ser-se sócio do clube – .
      Já os 50 votos a que têm direito é uma aberração inaceitável e inexplicável!

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      1. São as Casas do Benfica e não o presidente que tem os 50 votos. E é a direcção de cada Casa, composta por vários sócios, que decide o voto.
        Não mintam e escusam de usar a cartilha dos escroques do norte que não conseguem os vossos desígnios.

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        1. Bem prega Frei Tomás. E quem lhe diz que o elemento que carrega no botãozinho, vota em quem foi decidido colegialmente… Se é que foi…
          Não seja hipócrita e não tente fazer dos outros parvos.Só lhe fica mal e denota ser pouco inteligente!

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  3. Estes estatutos estão feridos de razoabilidade e mesmo de constitucionalidade.
    Esses pontos que apresentas têm que ser alterados pois não têm qualquer lógica.
    Contudo, acho que 10 dez anos de sócio para se ser presidente é pouco. Eu diria que 15 anos seria o mais normal acrescentando um mínimo de idade de 35 anos como referes.
    Importante e imprescindível no meu entendimento é a imposição da duração do número de mandatos. Dois mandatos consecutivos evitariam o que se passa actualmente.
    É o que me apraz dizer quanto aos pontos citados.

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    1. Em termos práticos, ter 10 anos de sócio e 35 anos não é muito diferente de ter 15 anos de sócio e 35 anos. Indo pelos mínimos, a diferença está entre ser sócio a partir dos 20 ou a partir dos 25, sendo que eu diria que quem é Benfiquista aos 25 anos de idade, já o era também aos 20.

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  4. Bastou ler o título e ver o número de comentários para adivinhar a presença de vieiristas (neste caso, uma vierista) a defender o indefensável.

    Se o clube é tão democrático como apregoa a guarda pretoriana de Vieira, porque não se reverte a mudança de estatutos de 2010? Qual a razão de não haver limite de mandatos? Porque não se acaba com o voto eletrónico? Por ser rápido a contar votos? Então e a veracidade das eleições não é mais importante? Então e os sócios que fazem grandes deslocações e abdicam do seu tempo livre poderem votar?

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