Análise à época desportiva: Update #5

Chegou ao fim a época da nossa equipa de futsal, e temos motivos para nos sentirmos orgulhosos, pois o Benfica sagrou-se campeão nacional pela 8ª vez.

Quem viu a final no ano passado, percebe facilmente que esta se decidiu nos pormenores. O Sporting vence o primeiro jogo, o Benfica vence o segundo com um golo de Raúl Campos no final e o terceiro no prolongamento. No quarto jogo, o Sporting vence nos penalties e no quinto repete a façanha. No entanto, não querendo valorizar vitórias morais, o Benfica deu uma excelente réplica contra o vice-campeão europeu, muito embora o Sporting estivesse muito desfalcado nessa altura.

Foi por essa razão que defendi, no início do ano, que o ciclo de Joel Rocha ainda não devia terminar. Certo era que o Sporting era tricampeão, mas a verdade é que parecia que ao Benfica só faltava um pouco de sorte. No entanto, conseguia compreender quem defendia a saída de Joel, porque, em bom rigor, se o campeonato se decidiu nos detalhes, o facto de Joel apostar em Cristiano Marques e não em Roncaglio no jogo decisivo foi um desses detalhes.

Opiniões à parte, a estrutura decidiu continuar com Joel. Porém, esta não foi uma aposta vazia de confiança, muito pelo contrário, porque o Benfica soube-se mexer muito bem no mercado. Faltava ao Benfica um fixo de qualidade inegável para contrariar o Sporting? O Benfica foi ao Barcelona um dos melhores fixos do mundo: Tolrà. Faltava ao Benfica um pivot com uma grande capacidade de impor o seu físico e de segurar a bola? O Benfica foi buscar o “desconhecido” Fits, e eu diria que acertou. Pelo meio, manteve toda a base da equipa, deixando apenas sair Bruno Pinto (totalmente desnecessário numa equipa com bastantes opções de qualidade para o seu lugar) e Deives Moraes (que embora bom jogador, perdia espaço com a chegada de Fits, além de que com dois novos jogadores não formados localmente, teria que sair alguém).

A época até começou algo titubeante. É certo que ganhámos os jogos todos na primeira volta, incluindo uma vitória claríssima contra o Sporting, mas numa série de jogos tivemos sorte. Contra o Elétrico, ganhámos por 3-2 com dificuldade, contra o Viseu, o resultado foi o mesmo mas estivemos a perder 2-0 até aos 10 minutos finais e o golo da vitória é do Roncaglio num lance em que o guarda-redes viseense fica mal na fotografia, contra o Belenenses, fica também 3-2 mas os dois últimos golos são marcados já no último minuto, e ainda há um jogo posterior contra o Quinta dos Lombos, que fica 5-4, em que o quinto golo é marcado também a acabar.

A desconfiança acentuou-se com a eliminação europeia. Depois de ganharmos o nosso grupo na Ronda Principal (um grupo onde também estava o Barcelona), na Ronda de Elite somos eliminados pelo futuro campeão europeu Sporting. A eliminação custou particularmente porque o Benfica até jogou melhor, sendo que perdeu pelo critério da diferença de golos, algo injusto pois jogámos sempre antes do Sporting. No entanto, a grande lição a tirar é que às vezes é preciso alguma ambição, pois o detalhe que decidiu esta eliminção foi precisamente o facto do Sporting se ter proposto a organizar a Ronda de Elite.

Até ao final da época regular, viríamos a conquistar o primeiro título, com uma vitória segura frente ao Braga na final da Taça da Liga, viríamos a perder pela única vez nessa fase na Liga (derrota humilhante contra o Sporting, mas que felizmente não alterou em nada a classificação) e viríamos a perder o segundo título da época, outra vez nos penalties, frente ao Sporting.

Até que chegou a altura decisiva da época – os playoffs. A desconfiança era natural, dado que o Benfica, nas alturas decisivas, vacilou sempre, sendo que essa desconfiança acentuou-se devido à necessidade de jogarmos uma negra contra o Fundão nas meias finais. No entanto, mais uma vez, nessas alturas decisivas, acima de tudo, faltou alguma sorte. Felizmente, por uma vez, a sorte sorriu-nos a nós, sendo que no jogo de ontem, tivemos uma série de situações que são apenas isso mesmo, sorte, sendo os mais gritantes o último golo de Raúl e a bola do Sporting no ferro a acabar. Não obstante, a verdade é que já merecíamos essa sorte.

No rescaldo, a análise da época tem que ser obviamente positiva. E se é verdade que eu já falei em sorte, é igualmente verdade que só uma ínfima parte do nosso sucesso se deve a essa sorte, dado que construção do plantel e o planeamento da época, a meu ver, foram irrepreensíveis. Isto vem prova que, com competência, tudo se consegue, e o trabalho da estrutura e, deixem-me particularizar, de Gonçalo Alves é ainda mais meritório se considerarmos que o Sporting é mais influente e individualmente mais forte, isto sem entrar nas questões orçamentais que também têm muito peso. Dito isto, só posso dar os meus parabéns à equipa e agradecer a todos os que tornaram esta alegria possível.

O maior desafio, porém, começa agora, dado que é necessário manter ou subir o nível. A primeira grande escolha é, obviamente, a escolha do treinador. Na minha opinião, acho que é o momento perfeito para fechar o ciclo de Joel Rocha. Estamos a falar de um bom treinador mas que demonstra estar a ficar já gasto. Uma das evidências que o prova é que, em termos de bolas paradas e em termos de 5vs4, quer defensivo quer ofensivo, estamos cada vez menos eficazes. Desse modo, sou da opinião que o Benfica deve mudar de treinador, deixando Joel Rocha sair pela porta grande, como campeão nacional. No entanto, face ao feito que é ganhar àquele que é provavelmente o melhor Sporting de sempre, não ficaria surpreendido nem conseguiria criticar uma possível renovação…
Depois, é importante ter muita cabeça na construção do plantel, pois, ao contrário deste ano, perspetivam-se algumas saídas de peso. Em primeiro lugar, é importante manter a base de jogadores formados localmente. André Coelho (muito embora eu não o ache tão craque como já deu para ver que uma boa parte dos Benfiquistas acham), Bruno Coelho e Henmi são o topo do jogador FL neste momento, Tiago Brito e Miguel Ângelo (este último uma agradável surpresa para mim) não estão ao nível destes mas são jogadores bastante úteis e Afonso e André Correia são o futuro. Confirmados que estão os empréstimos de Silvestre e de Cristiano, o único jogador que, a meu ver, o Benfica deveria descartar é Fábio Cecílio, até para promover um papel de maior protagonismo ao Afonso Jesus. Quanto a reforços nacionais, André Sousa parece estar em vias de reforçar a equipa, o que é positivo dado estarmos a falar do melhor guarda-redes nacional (e talvez ainda não haja total confiança no André Correia, o que se percebe, dado ele ainda ser novo) e parece-me que não deverá haver mais reforços nacionais, o que se compreende, dada a escassez de qualidade (gostava muito de ver o regresso de Ricardinho, e, dado que o Inter não vai à Champions, até nem seria um negócio descabido, mas parece-me ainda irrealista).
O problema maior estará na forma como iremos gerir as os NFL. Roncaglio, Fernandinho, Robinho e Fits têm o seu lugar garantido. Chaguinha, depois deste excelente fim de época, parece-me que também. Restam Raúl Campos e Tolrà, que parecem estar de saída. Sobre o segundo, já escrevi há dias. Acho que, enquanto for possível, devemos tentar convencê-lo a ficar. Se não conseguirmos segurá-lo, acho essencial investir num substituto à altura, principalmente nas tarefas defensivas, porque acho que foi Tolrà uma das chaves do sucesso deste ano. Sobre o primeiro, acho que foi muito mal gerido por Joel Rocha este ano, pois acho-o muito bom jogador. Sendo que a sua saída é muito provável, é necessário também substituí-lo bem. Se houver margem para investir num NFL, ficaria contente, caso contrário, porque não promover o regresso de Joel Queirós, que ainda continua a ser um jogador muito útil? Seja como for, atacar a época apenas com Fits (e se for preciso também Fernandinho, mas não é a mesma coisa), não pode ser uma opção.

Termino parabenizando mais uma vez os nossos craques e equipa técnica, na expectativa que na próxima época as coisas corram ainda melhor, dado que é uma oportunidade de ouro para fazer um brilharete na Europa, face à má fase que passam os principais clubes espanhóis.

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4 thoughts on “Análise à época desportiva: Update #5

  1. Joel Rocha deve sair, porque, em 5 épocas, apenas ganhou dois campeonatos. Agora que somos campeões nacionais, é fácil esquecer as coisas menos boas, incluindo a eliminação frente ao SCB. E se Joel Rocha não ganhar para o ano? Pois… Mais vale sair pela porta grande. Contudo, tem de ser substituído por um treinador com provas dadas e ambição de ganhar, ao contrário do que foi feito noutras modalidades, como o basquetebol e hóquei em patins.

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  2. O Domínguez? Não sei, não. Um treinador tem de ter garra, nervo para incentivar e liderar os jogadores nos momentos em que as coisas não correm bem. Qualidades que, parece-me, faltam ao argentino. Parece um tipo decente, mas calmo em demasia, o que é meio caminho andado para ser comido de caldeirada pelos abutres que pululam no ambiente rasteiro do nosso hóquei. Depois, é vermos as prestações miseráveis que tivemos numa data de jogos com ele no comando.
    Preferia um treinador português, um dos batidos nas ratices do hóquei nacional, que o argentino desconhece.

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