O plantel do Glorioso – Parte 1: A Baliza

Finda a temporada, é tempo dos protagonistas do relvado terem um merecido descanso. Da nossa parte, é tempo de refletir sobre o que está bem e o que está mal, no plantel, e com isso planear a próxima época. Esta será a primeira de 7 crónicas com esse propósito, que serão concluídas com uma oitava, essa uma opinião pessoal resumindo toda esta reflexão.

Importa dizer que as crónicas foram todas escritas antes do jogo contra o Rio Ave, e desde então só foram feitos pequenos ajustes aos textos, de forma a que estes não fossem publicados já desatualizados, pelo que esta reflexão foi feita independentemente do desfecho do nosso campeonato.

Esta primeira crónica serve para refletir sobre o elemento mais recuado do sector defensivo do nosso Benfica, que é o guarda-redes. O Benfica tem nos seus quadros 3 guarda-redes na equipa sénior e 2 guarda-redes emprestados, excluindo alguns guarda-redes espalhados entre a equipas B, sub-23 e júnior que não parecem soluções a curto/médio-prazo (Dylan Silva, Fábio Duarte, Celton Biai, Diogo Garrido, Daniel Azevedo, Carlos dos Santos, Leo Kokubo, entre outros). São eles Odysseas, Svilar, Zlobin, Bruno Varela e André Ferreira.

Odysseas Vlachodimos foi o dono e senhor da nossa baliza. O seu melhor atributo são os reflexos. Entre os postes, foi decisivo em muitos jogos, fazendo defesas que se calhar consideraríamos impossíveis. Porém, o grego foi um dos que mais sofreu com a mudança de equipa técnica. Numa equipa que jogava um futebol arcaico, de equipa pequena, ter uns reflexos excelentes era característica indispensável. Quando a mesma equipa, já com Bruno Lage, começou a subir linhas e a construir com critério desde o sector defensivo, as lacunas de Vlachodimos ficaram muito mais expostas, nomeadamente a sua falta de capacidade de controlar a profundidade e o seu péssimo jogo de pés. A isso, temos de juntar uma incapacidade inquietante de sair da baliza de forma eficaz. Juntas, estas lacunas levam a que não tenhamos grande segurança em ver Vlachodimos a defender as nossas redes. Não obstante ser o melhor guarda-redes dos nossos quadros, é manifestamente curto para titular numa equipa como o Benfica e que joga como o Benfica. Por isso, das duas uma, ou se aproveita o grego para suplente da nossa equipa, ou se aproveita que está valorizado por uma boa campanha na Liga dos Campeões e faz-se algum dinheiro que nunca mais teremos oportunidade de fazer.

A alternativa a Vlachodimos durante a temporada foi o jovem belga Mile Svilar. Já lhe dediquei um texto, aquando da eliminação na Taça de Portugal frente ao Sporting, em que argumentei que não vejo nele grande futuro. Svilar chegou catalogado como miúdo maravilha. Porém, a pressão de ser o novo salvador da Luz associada à sua enorme imaturidade competitiva levaram a que as expectativas fossem defraudadas. Svilar tem algumas virtudes inatas, mas a sua enorme incapacidade entre os postes torna-o um guarda-redes incapaz sequer para pertencer à equipa principal do Benfica. Tal como defendi há uns tempos, sinto que ele nunca se fará jogador no Benfica, até por causa da pressão mediática que terá sempre sobre si, mas admito que posso estar enganado. De qualquer maneira, é um jogador demasiado curto para ser sequer segunda opção.

Bruno Varela é outro dos guarda-redes que pertence ao Benfica. Titularíssimo na época passada, 3ª opção nesta, foi emprestado no mercado de inverno para o Ajax. Apesar de ser o guarda-redes suplente de uma das 4 melhores equipas da Europa, a verdade é que lhe falta muita qualidade quer entre os postes quer, principalmente, fora deles. A única vantagem de Varela é ser formado no Seixal, sendo tal útil para as inscrições na Europa. Porém, isso por si só não chega para pertencer à equipa principal do Sport Lisboa e Benfica…

André Ferreira é outro dos nossos guarda-redes emprestados. Fez a pré-época com a equipa principal do Benfica, e, apesar das boas indicações que deu, o guarda-redes de 22 anos foi emprestado ao Desportivo das Aves. Começou a temporada como titular mas perdeu espaço na equipa para Beunardeau. Ainda assim, fez 11 jogos com a camisola do Aves (7 para o campeonato), embora não dispute qualquer partida oficial desde Janeiro. Em termos de qualidade real, neste momento, André Ferreira é superior tanto a Varela como a Svilar, e tem os mínimos para pertencer ao plantel, mas sempre como opção de último recurso.

Por fim, falta falar de Zlobin. O russo foi titularíssimo na equipa B até ser promovido à equipa A, no início de Fevereiro. Evoluiu imenso e está pronto para o próximo passo na carreira. Parece-me que, apesar de ser neste momento o segundo melhor guarda-redes dos nossos quadros, dar-lhe a titularidade era um risco demasiado grande. Porém, o potencial existe. Com 22 anos, Zlobin precisa de minutos de jogo e precisa também de um novo estímulo competitivo. Sendo assim, regressar à equipa B é um retrocesso na sua evolução e mantê-lo como suplente seria promover a sua estagnação, pelo que uma das vagas de empréstimo na liga deveria ser gasta com ele.

Posto isto, depreende-se que a posição de guarda-redes tem de ser reforçada no próximo mercado. A prioridade, obviamente, tem de ser assegurar o presente. Na Liga Portuguesa, um bom guarda-redes pode dar muitos pontos importantes, e já se viu, com o exemplo de Svilar, que contratar um guarda-redes para o futuro pode dar asneira. Até agora, os nomes mais falados na imprensa são o de Jasper Cillessen, o de Wuilker Fariñez e o de Leo Jardim. Fariñez tem 21 anos e é um dos mais promissores guarda-redes do mundo. O venezuelano tem até a vantagem de jogar num parceiro nosso, o Millonarios. Porém, dar-lhe a titularidade era fazer a mesma coisa que já se fez com Svilar. Não obstante, e já que (segundo consta) temos opção sobre ele, não desdenhava a sua contratação. Leo Jardim tem 24 anos e era o titular no Rio Ave até se lesionar há poucas semanas. Pelas suas características, é guarda-redes de equipa grande. Porém, mesmo sendo um dos maiores valores das equipas extra-grandes na Primeira Liga, é sempre uma incógnita saber se ele se aguentaria com um papel de destaque num clube grande. Já Cillessen seria um reforço digno desse nome. É internacional holandês, tem experiência como titular em equipas que estão habituadas a ganhar (Ajax) e, mais importante que isto, tem as características essenciais para o nosso futebol, dado que sabe jogar bem com os pés e fora dos postes é competentes.

Não me parece que a equipa técnica do Benfica esteja a dormir relativamente ao guarda-redes. Um espetador mais atento, nos jogos do Benfica, é capaz de atentar como Bruno Lage se irrita frequentemente com a incapacidade de Odysseas jogar como ele quer. Por isso, estou convicto que iremos ao mercado reforçar a posição. Agora, é importante que se saiba gerir os nossos activos. A vir alguém, tem de ser um claro upgrade a Odysseas e não alguém para crescer na sua sombra. Do mesmo modo, é preciso promover o crescimento dos miúdos com mais potencial que temos. Esperemos então pelos próximos desenvolvimentos.

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5 thoughts on “O plantel do Glorioso – Parte 1: A Baliza

  1. Analise com muita lógica e honesta.
    O Odysseias é bom, mas com os pés é muito curto.
    Atendendo a esse pormenor, na próxima época os 3 guarda redes eram:
    – Cillessen, ou outro com o mesmo tipo de experiência, é aos 30 que um guarda redes atinge a plenitude.
    – Odysseias
    – Zlobin, aqui é porque como 3º guarda redes temos de ter alguém que seja um pouco dos dois principais, e o Zlobin tem um bom jogo de pés, boa presença entre os postes e saídas a bolas altas.
    Mas isto é uma opinião de um benfiquista que pensa que ser treinador é fácil. 🙂

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  2. Não acho que Odysseas tenha um mau Jogo de pés(já vi bem pior!..).Acho-o que que sim que tem bons reflexos e é forte entre os postes. O ponto fraco dele na minha opinião é a sair dos postes. Para além disso para um guarda redes, Vlacodimus ainda está numa idade em que tem alguma margem de progressão.È verdade que cometeu um erro contra o Belenenses Sad, mas também nos garantiu muitos pontos. A posição de GR é a posição mais ingrata do futebol, e por muito bom que um GR seja os erros podem acontecer. E são mais facilmente recordados do que um golo de baliza aberta falhado por um avançado. Quem não se lembra de jogos pouco conseguidos de por exemplo Vitor Baia? Ou o erro de Ederson num jogo contra o Maritimo?E depois estamos mal habituados tivemos de uma assentada Oblak e Ederson…não nascem nas árvores. Vlachodimus é um GR com qualidade mais suficiente para lutar pela titularidade do Benfica. O que não invalida que precisamos de uma alternativa válida para a posição. O problema é mais por ai, os suplentes. Svilar ainda tem muito para palmilhar. E finalmente não esquecer que o benfica não tem os mesmos orçamentos de um barcelona ou real Madrid.

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  3. o problema maior do odysseas nem acho que sejam as saídas dos postes, onde até nem acho que seja mau, talvez tenha de melhorar o controle da profundidade onde ai sim não é grande coisa.

    onde ele é péssimo, alias um horror, é nas bolas pelo ar onde nunca lá vai e quando vai é sem convicção nenhuma.

    o svilar como disse na altura que o contrataram só podia ser para emprestar, não o fizeram agora teve duas épocas perdidas que podem ter sido irremediaveis para o que queríamos fazer dele.

    contratação, jogador experiente e de muita qualidade (até para poder puxar pela qualidade do odysseas)
    odysseas
    zoblin ou o titular da B

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  4. Não concordo com o que achas do Svillar tem condições para ser titular do Benfica precisa é de ir errar (evoluir) para outros lados como aconteceu com os melhores GR que passaram pelo nosso clube (Oblak e Ederson) e depois voltar,
    Odysseias não gosto e neste momento para mim o melhor é Zlobin, em relação ao Grego deviam aproveitar a valorização que ganhou principalmente na champions, acabou por ser muito elogiado, vender e comprarmos um grande Gr (Cillessen, Navas).
    Na formação é juntamente com a de PL a posição que não se vê ninguém com qualidade para a equipa A foi pena não terem conseguido segurar o Virigínia

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