Emoção de plástico

Só para fazer um pequeno recap.

1. O momento solene do hino. Antes, dezenas de milhares de pessoas entoavam o Ser Benfiquista em plenos pulmões. O ambiente criado só não dava alento a um jogador do Benfica se este tivesse uma pedra no lugar do coração. Agora? Agora, ainda há dezenas de milhares de vozes a entoar o Ser Benfiquista, mas limitam-se a acompanhar um barulhento audio que sai das colunas do estádio. Citando o que eu próprio escrevi há alguns meses, já era altura de deixar descançar o Piçarra…

2. As cartolinas. A moda acho que foi importada, provavelmente da Alemanha. Independentemente da origem, a qual não me recordo bem, a realidade é que agora, sempre que há jogo grande, lá estão as cartolinas para fazer uma coreografia qualquer. A primeira vez até pode ter tido graça. Agora? Ao fim de dezenas de coreografias, já é fazer por fazer, que ninguém liga muito àquilo. Mas enfim, é bonito para pôr nas redes sociais.

3. O momento do golo. Virou moda o momento do golo transformar o estádio numa discoteca. As mesmas colunas de antes, quando o Benfica marca um golo, festejam-no com música comercial a uma quantidade de decibéis parva. Haverá alguém que prefira isto aos tradicionais e autênticos festejos?

4. O Marquês de Pombal. A festa do 33º campeonato do Sport Lisboa e Benfica foi uma das coisas mais espetaculares da história recente do clube. A quantidade de pessoas na rotunda Marquês de Pombal chegou, se calhar, às centenas de milhares, possibilitando uma das molduras humanas mais bonitas dos últimos anos. Um ano depois, plastificou-se a festa, com palco e passadeira vermelha e, pior ainda, com DJs, artistas convidados e discursos oportunistas e politizados.

5. A recepção ao autocarro. Quando o Benfica joga fora de casa, raro é a ocasião em que o autocarro não é recebido em festa por centenas e por vezes até milhares de adeptos, contentes por verem os seus ídolos perto das suas casas. É aliás nesses momentos que se vê a dimensão nacional do Benfica, que até nos locais mais remotos reúne grandes apoios. Na segunda-feira passada, o que era autêntico virou plástico, pois, à frente dos adeptos, colocaram-se cheerleaders com menos roupa do que seria de esperar dadas as condições meteorológicas a abanar bandeiras.

6. As luzes na Luz. Disto já falei há uns dias. É uma imitação, não provoca qualquer efeito na equipa, no fundo, é mais uma parolada que só fica giro nas redes sociais. De qualquer maneira, quando são os adeptos a fazê-lo espontaneamente, só se pode criticar os próprios. Quando é o próprio speaker a estimular o mesmo, usando os ecrãs do estádio para o efeito, fica evidenciado que é de plástico que quem manda gosta.

(…). Certamente mais exemplos existirão, os quais eu não me recordo.

Adeptos de plástico. Parece que é nisto que o Benfica quer transformar os adeptos. A emoção é transformada em plástico, em mero marketing que serve para encher as redes sociais mas que na prática é despojado de autenticidade. É este o caminho, de facto o Benfica de Vieira “não se desvia um milímetro” do mesmo. É continuar, até toda a gente se fartar de ser um fantoche.

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One thought on “Emoção de plástico

  1. Estragaram a festa no Marquês, estragaram a receção à chegada ao Estádio da Luz, estragaram o festejo dos golos… É tudo forçado, pouco natural.

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