Um Benfica Gourmet

19 de Setembro de 2018, dia de início de Champions, dia em que o Benfica recebe um dos gigantes do futebol mundial. O que é que vemos hoje, véspera do jogo? De acordo com o site, mais de 20 mil. E isto quando uma boa parte dos bilhetes já indisponíveis foram oferecidos.

Aqui, a crítica é simples. Citando precisamente o presidente do Bayern, Uli Hoeness, “Nós não pensamos que os fãs são como vacas, que você ordenha. O futebol tem que ser para todos”. E a mentalidade deveria aplicar-se também ao Benfica. O Benfica é o clube do povo. É um clube de ricos e pobres. É um clube que nasceu do zero e que desde cedo teve de lutar contra o dinheiro do vizinho rico. Não há razão nenhuma para os bilhetes mais baratos para o jogo contra o Bayern custarem 25€ para sócios e 40€ para quem não é sócio.

Em Agosto, dá para encher o estádio facilmente com os emigrantes, que com saudades do nosso Benfica, pagam qualquer coisa para ver o Maior. Em Setembro, os emigrantes já foram embora. Este tipo de preços aceitava-se se estivéssemos num país onde o salário mínimo fosse 3 vezes maior. Em Portugal, onde famílias com dois salários mínimos têm gastar balúrdios em renda, despesas correntes, e num mês de regresso às aulas, é completamente desajustado. O resultado? O resultado é este, uma decepcionante meia casa num dos maiores jogos do ano…

Infelizmente, isto não é algo inédito. Já no ano passado, a meia casa observada frente ao CSKA foi resultado desta má política. Na altura, Domingos Soares de Oliveira defendeu que o aumento dos preços estava relacionado com a maior procura de bilhetes. Disse DSO “há muito tempo que não fazíamos atualização de preço, consideramos que esta era a oportunidade para fazê-lo”. Porém, algo não bate certo. Se a procura aumentou assim tanto que aumentar os preços foi um passo óbvio, porque é que se continuam a ver constantes meias casas na Champions? A lógica de que “temos de continuar a ter futebol para os benfiquistas de menores rendimentos e que quer vir ao estádio e uma oferta premium para aqueles que têm mais disponibilidade para pagar”, não só vai contra os pergaminhos do clube, pois cria um Benfica gourmet que não devia existir, como se demorona a partir do momento que vemos um decréscimo tão grande na procura.

Da direcção, espera-se um pouco de bom senso. Já são sucessivos os casos que demonstram o erro que foi aumentar os preços dos bilhetes para valores desajustados à realidade nacional. Portanto, espera-se bom senso para reconhecer o erro e baixar os preços, para que ver o Benfica na Liga dos Campeões não continue a ser um privilégio inacessível a muitos.

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